As tendências para o varejo em 2022, sem dúvida, foram impactadas pela pandemia. As mudanças nos hábitos de consumo e a aceleração tecnológica, naturalmente, contribuíram com as perspectivas para o novo ano. Mas, apesar de serem temas recorrentes quando se fala sobre o período, há outros elementos a considerar.  

Para ajudar nesse entendimento, dividimos as tendências em 5 grupos. Nos dois posts anteriores, falamos de três deles:

O varejo segundo o cliente 
O varejo pelo cliente

Ampliação dos horizontes de vendas
RaS – retail as a service
Halo-effect

Hoje, encerramos nossa trilogia de tendências para o varejo em 2022. Neste post, o foco está nas perspectivas que os avanços tecnológicos devem trazer para o setor. Considerando o grau da relação de cada uma com o 5G, formamos dois grupos:

Expansão digital
Nas trilhas do 5G

EXPANSÃO DIGITAL

Até recentemente, quando se tratava do uso de tecnologias no comércio, era fácil identificar grupos distintos no Brasil. Na retaguarda, uma minoria apostando alto e usando-as a favor do negócio e do cliente. Na posição seguinte, empresários com aversão ao digital, que, no máximo, contavam com ferramentas de gestão básicas e um site desatualizado. Por fim, a maioria, formada por varejistas dispostos a valer-se de tecnologias a favor do negócio e, dependendo do custo, a aproveitar uma novidade tecnológica ou outra para impressionar clientes. Entretanto, logo que, em alguns meses, a pandemia virou a chave do mercado, o pessoal foi rápido em entender a lição. Ou seja, tanto as tecnologias foram aceleradas como a compreensão a respeito de seu alcance. Desse modo, não se engane ao ler figurinhas repetidas nos títulos abaixo. Nas tendências para o varejo em 2022, temos algumas releituras. Dessa vez, a função estratégica está em voga.

Presença digital avante

O varejo deve passar por uma expansão de canais digitais. Considerando sites, redes sociais e afins, o interesse deve se diversificar em vários aspectos. Agora, o foco passa a ser a presença digital e o uso estratégico dos recursos que este ambiente oferece. Isso levará a ações que vão do conteúdo otimizado para motores de busca à criação de produtos virtuais. Vale esclarecer que tal movimentação abrange esforços de omnichannel, aprimoramento de chatbots etc. De fato, no panorama estratégico do comércio, a web costumava ser vista, apenas, como espaço para ações complementares. Em contrapartida, para o cliente, as atividades online são um apoio para decisões de consumo há anos. Quando a pandemia transferiu as compras para o e-commerce, esse papel foi intensificado. Em suma, os canais online saíram do lugar de complemento para se tornar ponto de partida de estratégias.

Economia C2C 

Ao longo das últimas décadas, à medida que a internet amadurecia, barreiras do varejo caiam. Com formas de pagamentos adaptadas ao meio digital, recursos de segurança, qualidade de imagem etc., as condições técnicas para o e-commerce foram estabelecidas. A pandemia, trouxe o impulso final: adesão praticamente massiva de compradores. Com isso, a economia C2C (cliente-para-cliente) deve crescer. Entre as  tendências para o varejo em 2022, esta é, provavelmente, a mais embrionária. Ela ecoa e, ao mesmo tempo, serve como ponto de convergência de comportamentos e outras tendências. Por isso, é interessante observá-la por diferentes ângulos. Embora seu ponto de partida seja a conexão entre clientes que se comunicam e trocam bens / serviços entre si, ela pode ir além. Por certo, ainda veremos surgir novos modelos de negócios decorrentes da economia C2C. Só para ilustrar, lembre-se do que falamos sobre revenda de roupas usadas e halo effect.

O fim da influência estática e editada 

Nos próximos anos, os influenciadores continuarão cumprindo seu papel na comunicação das empresas. A forma de sua contribuição, no entanto, deve mudar um pouco. As selfies montadas e editadas darão lugar a vídeos com cara de vida real. Depois de tanto tempo de exposição a esse tipo de publicidade, o consumidor já conhece as práticas da área. Portanto, o glamour foi por terra, e eles perderam a confiança em divulgações muito produzidas. De agora em diante, o engajamento virá com demonstrações de autenticidade e sinceridade – isso em mão dupla. Em outras palavras, tais características devem transparecer tanto no influenciador como na marca. Por isso, devemos ver um número crescente de influenciadores com contratos de exclusividade. Além disso, os materiais voltados, apenas, para divulgação devem trazer outro tipo de conteúdo. Na busca por engajamento, a audiência do espectador deve ser compensada com a promoção de temas como educação, entretenimento e afins.

Aplicações direcionadas de RA

Por mais que o e-commerce tenha salvado o varejo durante a pandemia, isso não se deu sem esforço. Para algumas categorias de produtos, aproximar a experiência digital da vivida em loja física era premente. A solução foi abraçar a realidade aumentada, seguindo na trilha de empresas como Warby Parker e IKEA. O sucesso de iniciativas desse tipo, vem transformando a RA em uma ferramenta tão presente no varejo quanto os mais diversos veículos de mídia. Nesse sentido, é importante identificar a adequação de seu uso. Assim como nem sempre um comercial de TV é o meio ideal para determinada mensagem, a realidade aumentada serve a situações de marketing específicas. Com esta consciência, devemos chegar a usos cada vez mais estratégicos da tecnologia. Paralelamente, vamos continuar a ver uma queda nos custos e melhorias na qualidade de imagem e das experiências.

NAS TRILHAS DO 5G

O 5G está, enfim, prestes a chegar ao Brasil. Isso significa que vamos ganhar velocidade e qualidade de conexão. Como resultado, devemos assistir à consolidação de uma nova fase da internet, a web 3. Vários avanços tecnológicos e mudanças de comportamento ocorrerão a partir daí. Nesse sentido, os futuristas já apresentaram vários vislumbres de caminhos que o 5G deve abrir. Mas, tendo em vista as  tendências para o varejo em 2022, algumas estão mais próximas em nosso horizonte. É nelas que vamos nos concentrar.

Conteúdo de voz 

Dispositivos de voz já estão ao alcance de consumidores de classe média, mesmo assim, não ultrapassaram o marco dos early adopters. Da mesma forma, os usuários que fazem buscas usando a fala ainda são minoria, pelo menos por enquanto. De fato, isso deve mudar com o 5G e consequente viabilização da IoT (internet das coisas). Os aparelhos conectados que vamos usar no dia-a-dia responderão a comandos de voz. Este tipo de tecnologia vai se popularizar, e nós vamos nos acostumar a falar com máquinas.  As empresas precisarão produzir conteúdos de voz a fim de marcar sua presença digital. Em síntese, estamos falando de um novo degrau no desenvolvimento de conteúdo estratégico.

Carrinhos (ou cestas) inteligentes no varejo físico 

Com a redução de latência proporcionada pelo 5G, os empresários terão confiança para usar carrinhos inteligentes em suas lojas físicas. Nestes equipamentos, os produtos que entram e saem da cesta são registrados. É o fim das filas em check outs, ou seja, um ganho na jornada do cliente. Além disso, há outros benefícios para o lojista. Os registros são dados que indicarão índices de desistência, tendências de substituições etc. Dependendo dos sensores nos carrinhos, será possível até calcular o tempo que o cliente passa em cada seção.

G-commerce

Os gamers são reconhecidos como um grupo de consumidores com poder de compra considerável. Dessa forma, nada mais compreensível que o interesse pelas plataformas que eles usam para jogar. Como se não bastasse, elas são as precursoras do metaverso. Ações de comunicação dentro de games se fortaleceram como tendência desde o case da lanchonete Wendy’s no Fortnite. Em paralelo, marcas começaram a faturar com produtos que só existem dentro dos jogos. Com o 5G, esse tipo de entretenimento deve atrair um público ainda maior, e ações como estas tendem a se estabelecer. Só que as plataformas de jogos não funcionam da mesma maneira que as mídias tradicionais. Trata-se de um ambiente com cultura e linguagem próprias, e o engajamento vai depender de respeitá-las.

Cognição de produtos

Mais e mais produtos se tornarão inteligentes. É a promessa da IoT se concretizando, graças à implantação do 5G, bem como à redução nos tamanhos e nos custos dos sensores. Enquanto a inteligência artificial (IA) já faz parte de nossas vidas, a internet das coisas (IoT) está apenas aguardando na porta de entrada. Assim que a estabilidade e velocidade do 5G entrarem em cena, ela vai tomar conta de nossas casas. Mas não se trata apenas de geladeiras capazes de identificar que o leite acabou. Carros serão autônomos o bastante para não só se locomoverem sozinhos como para se dirigirem ao posto para se abastecer.  Essa dinâmica totalmente nova, vai trazer mudanças para o varejo. A fidelidade do cliente valerá mais que nunca. As escolhas em compras feitas por esses equipamentos, afinal, dependerão dos inputs de quem os possui. Por certo, temos muito a aprender.

As tendências para o varejo em 2022 abrem horizontes

Ao passo que, em 2020, o varejo precisou improvisar diante do inesperado, 2021 representou, de certa forma, um momento de adaptação. Já mais à vontade com as soluções encontradas, veio a oportunidade de avaliar o cenário com calma e clareza. À  medida que a sociedade volta a se alinhar, uma rotina se estabelece. Assim, pouco a pouco, lojistas e consumidores vão retomando seus espaços.

Com efeito, o rearranjo do setor trouxe um consumidor mais atento e ativo. Os varejistas, por sua vez, ampliaram horizontes, indo além dos 4Ps do marketing. Com isso, algumas tendências se fortaleceram, outras ganharam novas perspectivas. Em síntese, como temos insistido, as tendências para o varejo em 2022 orbitam a experiência de compra, a jornada do cliente. Fica, assim, o vislumbre de uma relação mais próxima entre os atores que fazem a roda do varejo girar.