As tendências para 2022 no varejo indicam que a jornada do cliente deve traçar os contornos do setor nos próximos anos. Considerando o post da semana passada, isso fica evidente, afinal este era o tema central do texto. Contudo, mesmo diante de perspectivas não relacionadas ao consumidor – tecnologia, por exemplo – notamos que os benefícios finais sempre abrangem o cliente.

Os futuristas apresentaram um grande número de tendências para 2022 no varejo. A fim de facilitar, reunimos as que consideramos mais relevantes para nosso mercado em cinco grupos, que discutiremos em três partes:

O varejo pelo cliente (grupo 1)

Ampliação dos horizontes de vendas
Halo-effect (grupo 2)
Outras formas de vender (grupo 3)

Estrategicamente digital
Expansão digital (grupo 4)
Nas trilhas do 5G (grupo 5)  

Ao passo que o primeiro post traz tendências que focam no cliente, neste, a atividade de vendas é o tema central. 

HALO-EFFECT

Quando as compras digitais superaram as físicas, muitas convicções do varejo saíram do lugar. Enquanto priorizavam as vendas em plena pandemia, os gestores precisavam lidar com aprendizados e dificuldades, até então desconhecidas ou vistas como irrelevantes. Em meados de 2021, com o fim das restrições, eles puderam compreender melhor o dueto físico-digital. Entre os reflexos disso nas tendências para 2022 no varejo, temos o fortalecimento de uma tendência anterior – o halo-effect, ou seja, a influência positiva que as lojas físicas têm sobre as vendas online.

Repaginando a loja física 

Inúmeros estudos indicam que o volume de vendas digitais deve continuar crescendo mais que o de vendas presenciais. No entanto, eles reafirmam a importância das lojas físicas. Daí vem o entendimento de que elas precisam ser mais que um lugar onde os clientes vão para fazer compras. Em vez de vendas, sua função passa a ser, sobretudo, o relacionamento dos consumidores com a marca. Para cumpri-la, a aposta é no que está sendo chamado de “entretenimento de varejo”. Na repaginação das lojas físicas, veremos ambientes instagramáveis, experiências imersivas, “degustação” de produtos etc.

Do e-commerce para a esquina 

O valor estratégico dos PDVs físicos foi reconhecido primeiro por grandes players do e-commerce. Em 2015, a Amazon abriu sua primeira loja de rua em Seattle e logo foi seguida por outras empresas que, até então, atuavam exclusivamente em ambiente digital. A iniciativa deu tão certo para a gigante do e-commerce, que ela não só inaugurou outras lojas físicas como vem testando estabelecimentos focados em frutas e verduras. Em 2022, esta tendência se fortalece, repercutindo, inclusive, entre e-commerces menores

RaaS – retail as a service

Em síntese, no RaaS, o varejo é um serviço prestado a pequenos varejistas. Aqui, o serviço em questão é o aluguel de toda a infraestrutura para uma loja por curto prazo. Além do espaço – que pode ser apenas uma prateleira numa estante -, o contratante passa a contar com atendentes, meios de pagamento etc. Com isso, empreendedores de porte mínimo e seus clientes podem ter uma experiência de loja física. O RaaS, portanto, evidencia a democratização da atividade do varejo, sendo, também, endossado em outras tendências para 2022.

OUTRAS FORMAS DE VENDER

O isolamento social, colocou a criatividade dos lojistas à prova. Para driblar a ausência das pessoas nas lojas físicas, a internet foi, inegavelmente, a grande aliada. No entanto, os movimentos relacionados a vendas não ficaram restritos ao e-commerce. Passado o momento mais crítico da pandemia, foi possível analisá-los com mais clareza e identificar os mais promissores dentro das tendências para 2022 no varejo. 

Compras assinadas

Aos poucos, as compras por assinatura ultrapassam as fronteiras do entretenimento, informação e SaaS (software as a service). Hoje, já é possível assinar programas que enviam, periodicamente, cervejas, produtos de beleza, vinhos etc. Há, inclusive, modelos de assinatura que não se restringem a uma categoria de produto específica. Com vários cases de sucesso já conhecidos, essa tendência se firma mais a cada dia. Com ela, o varejista tem um ganho importante: previsibilidade de demanda e receita. Paralelamente, desenvolve uma conexão mais profunda entre a marca e seus clientes.  

Nem só de marketplace vive o e-commerce

Os diversos meios para vender online foram testados ao extremo nos últimos 20 meses, e o comércio social se beneficiou disso, criando inovações importantes no período. Antes de tudo, o live commerce se estabeleceu numa velocidade surpreendente. As plataformas de mídias sociais, por outro lado, aprimoraram a experiência de compra. Facebook e Instagram, por exemplo, já oferecem intercambialidade, com a mesma loja sendo acessada nas duas plataformas, seja via site ou aplicativo. Além disso, à medida que o varejo entende melhor o poder dos dados, também compreende o valor estratégico que o intenso fluxo nessas redes traz para o desenvolvimento de personalização em altos níveis.

Revenda de produtos usados 

O mercado de segunda mão é um dos que mais cresce no varejo. Acontece que estamos falando de vendas C2C (consumer to consumer), portanto alheias às estratégias por trás do que é comercializado. Decerto, as marcas estão cada vez mais interessadas em fazer parte deste movimento. Diferentes motivações estão em jogo. O clima de caça ao tesouro, o caráter de exclusividade e a preocupação com a sustentabilidade são as principais razões que levam alguém a vender ou comprar peças usadas. As marcas, por sua vez, estão interessadas, principalmente, em proteger a imagem de seus produtos. Para elas, lucro direto com esta operação fica em segundo plano, afinal ela implica em grandes desafios logísticos. À medida que essa tendência se firma, novas soluções são impulsionadas para apoiar iniciativas de clientes e preservar as marcas de eventuais riscos.

Omnicolaboradores

Por anos, falamos da tendência do omnichannel. Em vias de se concretizar, ela traz desafios, sendo o atendimento um dos principais. Em breve, haverá mudanças nas demandas que os clientes apresentarão aos colabores. Com isso, naturalmente, o perfil desse profissional vai mudar. Ele deverá, no mínimo, ser capaz de conduzir os consumidores pela ponte que liga as iniciativas digitais e físicas da loja onde trabalha. Aqui, não basta ter habilidade com ferramentas e dispositivos, também é importante que ele domine o portfólio, as ações e o sistema utilizado pela empresa. Em outras palavras, o treinamento de funcionários deve ser um pouco mais amplo do que estamos acostumados.

Equalização nas tendências para 2022 no varejo

Talvez, ao contrário de anos anteriores, as tendências para 2022 no varejo não tragam grandes novidades. O que vemos, pelo menos no que tange às formas de vender, é uma espécie de equalização. Naturalmente, depois do boom do e-commerce durante a pandemia e diante novas dinâmicas na sociedade, há arestas a acertar. É como uma filtragem, mantendo apenas aquilo que potencializa o dueto físico-digital. Enfim, o futuro do varejo é híbrido, e isso fica ainda mais evidente com as perspectivas que chegarão com o 5G, como veremos no próximo post.