O SXSW 2022 encerrou mais uma edição, afirmando-se como o maior festival de criatividade e inovação do mundo. Entre 11 e 20 de março, um público que se destacava pela diversidade acompanhou as incontáveis atrações do evento. Além dos festivais de música e cinema, ativações de marca, exposição de negócios e conferências da programação oficial, várias outras atividades movimentaram a cidade de Austin, no Texas.

Embora o foco de South by Southwest não seja o varejo, foram muitos os ensinamentos para o setor. Assim como outras edições, o SXSW 2022 trouxe à tona diversas tendências. O destaque ficou por conta de Amy Webb e Rohit Bhargava. Ela trabalha com o olhar mais voltado para o futuro, enquanto ele analisa tendências mais imediatas. 

Dois caminhos em três tendências no SXSW 2022

Com esta abordagem de longo prazo, Amy destacou três pontos. Primeiro a inteligência artificial, que , cada vez mais, será parte integrante de aparelhos e vai remodelar a forma como nos relacionamos com a tecnologia. Nesse sentido, vai trazer novos elementos para as decisões de compras e para o processo comercial como um todo.

O segundo é o metaverso. Amy Webb o define como um conjunto de tecnologias que ocupa o gap entre o mundo físico e o digital. Ele será construído com base em nossos dados, mas temos alguns anos pela frente até que a infraestrutura para sustentá-lo esteja pronta. As criptomoedas serão parte disso, contudo, para a futurista, ainda não definimos como vamos, realmente, realizar transações financeiras no metaverso. A fim de que possamos chegar lá de maneira positiva, precisamos de atenção máxima às questões regulatórias. Com efeito, mais que nunca, elas se mostram indispensáveis.

Por fim, Amy destaca a biologia sintética, que nada mais é que uma tecnologia que reproduz a biologia, seja ela humana, animal, vegetal etc. Ela viabiliza uma intervenção na natureza nunca vista antes. Desse modo, um novo mercado deve surgir a partir de seu desenvolvimento, outros passarão por mudanças profundas. De fato, já existem produtos feitos com DNA e microchips que podem alterar o funcionamento do corpo. A biologia sintética, aliás, está sendo usada na produção de alimentos. Em Cingapura, uma máquina produz frango a partir de células tronco de animais. Ou seja, é carne de frango de verdade, mesmo que saia de uma máquina.

Os relatórios de tendências de Amy Webb sempre apresentam dois cenários – um otimista, outro pessimista. É interessante (e, talvez, um pouco assustador) conhecer estes dois olhares, assim, podemos nos guiar para chegar ao melhor caminho. A palestra dela está disponível aqui, e o relatório pode ser lido aqui.

Nada óbvio no SXSW 2022

Olhando para o futuro no curto prazo, Rohit Bhargava apresentou 10 tendências não óbvias no SXSW 2022. O trabalho dele se destaca por captar sinais no que está acontecendo no momento, mas que não observamos a fundo. A partir deles, Rohit identificou 10 tendências que estão se desenhando nesse exato momento. 

1. Identidade Amplificada

Para cada uma de nossas redes sociais, temos diferentes perfis. Eles representam nossa identidade de acordo com o objetivo da plataforma em questão. No Linkedin, por exemplo, nossa foto é mais formal. Segundo Rohit, com o metaverso, isso pode ganhar novas dimensões. As pessoas e empresas vão precisar administrar suas diversas identidades. E quem trabalha com plataformas deve atentar às repercussões e exigências que isso acaba trazendo para suas campanhas e análises de dados.

2. Ungendering

Cada vez menos vamos reconhecer atitudes e objetos como feminino ou masculino. É a fluidez de gênero transformando as relações em meio à diversidade humana. Da mesma forma que já não é aceitável que um homem interrompa a fala de uma mulher, as meninas já podem brincar com carrinhos. Essa nova dinâmica social leva a uma reavaliação de como nos vemos e como vemos os outros. As empresas precisam entender estas mudanças e o ritmo de seu público alvo na aceitação delas a fim de desenvolver conversas saudáveis e construtivas.

3. Conhecimento instantâneo

O ritmo acelerado de nossas vidas chegou à forma como aprendemos. Os tutoriais e ferramentas tecnológicas que oferecem aprendizado rápido mobilizam uma audiência considerável. Da mesma forma, conteúdos ricos, embora resumidos, com imagens explicativas saem em vantagem. As empresas devem atentar para isso em suas postagens em sites e plataformas sociais. Da mesma forma, devem repensar seus manuais de instruções e os materiais que precisam ser lidos pelos clientes.

4. Revivalismo 

A vida se tornou muito complexa, e isso despertou saudades de tempos mais simples. É daí que vem a onda de nostalgia que estamos vivendo. Novelas antigas sendo refilmadas, objetos do tempo da vovó em fotos no Instagram, releituras de looks que já foram moda… Estes são só alguns exemplos de como as pessoas estão sedentas do passado. Talvez, essa seja a tendência mais fácil de explorar. As empresas podem abraçar o espírito retrô ou ler nas entrelinhas e proporcionar simplicidade real a seus clientes. 

5. Modo humano 

Queremos ver nossa humanidade sendo colocada em prática. Mesmo que signifique imperfeição técnica, lidamos com isso em favor de mais empatia. Daí, a necessidade de uma revisão numa série de procedimentos das empresas, dos mais óbvios, como URAs, aos mais específicos. Para dar uma ideia mais clara, Rohit trouxe o exemplo de produtos de beleza que passaram a usar identificação em braile nas embalagens. Empresas que conhecem seus clientes e exercem empatia devem traduzir isso em ações, sempre pensando em acolher e melhorar a experiência.

6. Atenção valorizada

Nossa atenção é disputada por uma infinidade de atrações, com isso, seu valor foi às alturas. Nos últimos anos, vimos muitas estratégias em prática para atrair nossos olhos. Manchetes sensacionalistas, soluções mágicas etc. já não fazem efeito. Para manter o público atento, as empresas precisam ser criativas e relevantes. Aqui mesmo, nessa lista de tendências, há boas indicações a seguir.

7. Lucro com significado

Rohit reforçou algo que temos falado bastante aqui. Transformamos nosso ato de comprar em forma de manifestação. Assim sendo, damos preferência às empresas que apoiam as causas que apoiamos. Em outras palavras, antes da decisão de compras, observamos quais negócios promovem valores coerentes com os nossos. É a importância do propósito, mais uma vez, sendo reforçada.

8. Abundância de dados 

A coleta de dados se disseminou de tal forma que hoje temos um excesso com o qual não sabemos lidar. Com efeito, nem sempre extraímos deles aquilo que precisamos. Temos que buscar mais objetividade nesse processo, e isso inclui o uso de soluções que ajudem a estruturar e compreender o que temos em mãos. Entretanto, acima de tudo, temos que aprender a fazer as perguntas certas aos dados.

9. Tecnologia protetiva

Uma série de ferramentas digitais estão disponíveis para facilitar as nossas vidas e nos proteger de passos em falso. Usamos sistemas que ajudam a controlar nossas finanças através do monitoramento de nossas contas e cartões. Pulseiras podem levantar o padrão do nosso sono. Empresas analisam o DNA de clientes interessados em saber se têm traços de alguma doença. Enfim, a tecnologia está aí, prontasegurar a nossa mão, seja para nos ajudar ou nos proteger. Só que, em troca, entregamos nossa privacidade a terceiros. Precisamos, portanto, de uma boa dose de cuidado e consciência a respeito das informações que passamos adiante.

10. Comércio de fluxo 

Estamos em uma fase do desenvolvimento tecnológico em que muitas barreiras foram diluídas. No mundo dos negócios, isso trouxe liberdade para empresas interessadas em expandir suas atuações. Só para ilustrar, uma tradicional marca de lápis de cores pode, por exemplo, lançar sua linha de maquiagem.

SXSW 2022, onde você vê o futuro

O SXSW 2022 mal acabou, já temos a data da próxima edição: 10 a 19 de março de 2023. Até lá, ainda vamos falar muito dos aprendizados deste ano. Assim como aconteceu na NRF 2022, o ESG foi incansavelmente discutido. Em paralelo, a realidade aumentada continuou surpreendendo nas aplicações para o varejo. Da mesma forma, ouvimos muito sobre social commerce e sobre o potencial dos games para a venda de produtos. Isso para não falar de assuntos que merecem ser observados enquanto evoluem, como NFTs e metaverso. Temas para outro dia, afinal, as tendências apresentadas por Amy Webb e Rohit Bhargava já dão pano para a manga. Aliás, se quiser conversar com nossa equipe sobre como as ferramentas da MpontoM podem te ajudar a se preparar para elas, entre em contato.