O futuro do varejo deu sua prévia no SXSW 2021. Sem dúvida, veio com efeito de alerta para empresários do setor que ainda não acordaram para o papel das novas tecnologias na jornada do cliente. Considerando o histórico do festival como precursor em tendências há mais de uma década, podemos dizer que a virtualização do comércio vai muito além do e-commerce.

Esse ano, por causa da pandemia, pela primeira vez, o South by South Southwest aconteceu online. Houve uma redução nas atrações, em comparação às edições presidenciais, mas, nem por isso as discussões foram menos ricas. Em vez das inúmeras tracks costumeiras, o conteúdo do SXSW 2021 dividiu-se entre sete temas:

Uma nova urgência
Desafiando os rumos da tecnologia
Resiliência cultural nas artes
O renascimento dos negócios 
Transformando o cenário do entretenimento
Conexão na desconexão
O futuro inexplorado

Assim, o Festival trouxe um panorama bem amplo, cobrindo temas essenciais para pensar a sociedade e o futuro que se desenha à frente. Dois painéis foram particularmente importantes  para o setor de varejo. Um deles, O futuro do varejo e das compras online, fez parte da agenda Conexão na desconexão. O outro, Varejo imersivo: compra conectada em uma nova era, entrou na lista de Desafiando os rumos da tecnologia

O futuro do varejo e das compras online

O painel O futuro do varejo e das compass online reuniu Gregg Renfrew (Beautycounter), 

Elizabeth Segran (Fast Company), Munira Rahemtulla (Amazon Live) e David Sandstrom (Klarna) para falar de uma novidade que já conquistou consumidores da China e dos EUA, o live streaming shopping ou live commerce.

A nova modalidade de varejo é uma evolução dos programas de vendas que já ocuparam grades da TV aberta. Lembra do sucesso do Shoptime?

Agora, em vez da TV, as vendas estão em plataformas digitais que mesclam a função de streaming com a de e-commerce. Quem assiste, interage e compra na mesma tela. Para apresentar e vender, os influenciadores digitais costumam ser os melhores na função. Eles trazem seus seguidores, conduzem a conversa com desenvoltura e emprestam sua credibilidade para a empresa no comando live streaming shopping.

Em síntese, a releitura da programação estilo Shoptime abraçou a tecnologia e os comportamentos do nosso tempo. Com isso, acabou por criar um novo formato e uma linguagem bastante particular, que atende a relação comercial naquilo que vendedores e compradores mais sentem falta nas transações digitais: a conexão pessoal. O live commerce reproduz, em ambiente digital, o passeio com amigos no shopping. Dessa forma, no futuro do varejo o papel social do consumo ganha novos ares, à medida que a experiência de compra se aproxima da de entretenimento.

“Historicamente, a venda online sempre foi focado na conversão. O que o live shopping possibilita é uma forma de envolver o consumidor, de criar uma conexão. Não é apenas sobre a compra, mas sobre toda a experiência que não era possível até então no ambiente online”
David Sandstrom

Varejo imersivo: compra conectada em uma nova era

A ideia de que o futuro do varejo traz uma boa dose de entretenimento ainda norteou outro painel do SXSW 2021. Varejo imersivo: compra conectada em uma nova era contou com a experiência de Tony Parisi, que lidera a área de inovação em realidade virtual e realidade aumentada na Unity Technologies. Além dele, também fizeram parte Silke Meixner, estrategista digital da IBM, e de Kevin O’Malley, presidente do TechTalk/Studio.

A fala desse trio revelou o potencial de vendas por trás das tecnologias imersivas, especialmente por oferecerem uma experiência sensorial. Ou seja, quando aplicadas ao comércio no ambiente digital, conseguem aproximá-lo do físico. Nesse sentido, suas vantagens práticas atendem diversos perfis de lojistas. Se você tem uma loja de presentes, por exemplo, seu cliente poderá manusear versões digitais dos produtos a fim de escolher algo. Já se vende roupas ou acessórios de moda, eles terão a chance de prová-los, mesmo à distância. Lembra do case da ótica Warby Parker, que usa realidade aumentada em seu app, possibilitando que seus clientes testem o visual dos óculos virtualmente? Da mesma forma, já é possível provar roupas sem vesti-las.

Várias lojas e marcas já adotaram essas tecnologias, sobretudo a realidade aumentada. Elas tanto se impregnaram no setor varejistas que migraram da estratégia promocional – em que foram inicialmente adotadas – para a operação de vendas. Com efeito, o futuro do varejo já chegou. 

E o analógico no futuro do varejo?

Certamente, o analógico ainda faz parte do futuro do varejo. De fato, ele sempre vai existir. As fronteiras com o digital, no entanto, começam a se diluir. Os mundos on e offline estão se mesclando. Aliás, a consciência disso é meio caminho andado na construção de uma experiência omnichannel eficaz.

Nesse contexto, a loja física está se transformando, assim como as plataformas de e-commerce. Ao passo que sites e apps se humanizam a fim de melhorar as vendas online, os PDVs físicos vão descobrindo seu papel social e tendem a assumir, principalmente, a tarefa de conectar pessoas e entreter.

A cada tempo, seus ônus e seus bônus. O varejo do futuro, com certeza, vai abraçar todas as ferramentas que contribuam com sua performance, e as novas tecnologias fazem parte disso. Afinal, os consumidores não abrem mão de seus dispositivos eletrônicos e da vida conectada –  quem se recusar a entrar nessa dança não terá mercado. 

Contudo, temos que entender as tecnologias não como fim, mas como meio de alimentar as relações com os clientes. Elas não são um luxo de empresas grandes ou de marcas famosas. Ao contrário! As soluções que viabilizam dependem menos de recursos técnicos e mais de uma mentalidade inovadora, algo que se constrói aos poucos e muito mais facilmente em pequenos negócios.