A segunda parte da maior conferência americana do varejo aconteceu entre 21 e 25 de junho, totalmente online. Como esperado, a NRF 2021 Capítulo 2 colocou lideranças do varejo mundial em frente às telas e cumpriu a promessa de entregar uma leitura precisa do que vem dando certo nas principais empresas varejistas dos Estados Unidos. Contando com a participação de grandes marcas e referências do setor, o evento trouxe ensinamentos que precisam ser compartilhados. Por isso, como fizemos com a primeira parte da NRF 2021, aqui estamos para trazer o resumo dos principais destaques. 

Antes de tudo, vale dizer que alguns macrotemas deram a tônica do evento. Assuntos já discutidos há bastante tempo voltaram aos holofotes, dessa vez com um olhar influenciado pelas experiências vividas pelo varejo durante a pandemia

Aliás, Diane von Furstenberg, fundadora e presidente da DVF, chamou a atenção para a grande oportunidade que essa crise trouxe: o luxo de parar. Desde que o varejo surgiu, há séculos, nunca fizemos uma revisão tão profunda da atividade. Nos últimos 15 meses, varejistas de todo mundo repensaram detalhes e descobriram falhas que nem sonhavam existir em suas empresas. 

Sem dúvida, a aceleração no uso de tecnologias é o legado mais evidente do isolamento social, no entanto, o maior ganho que tivemos, provavelmente, está em questões um pouco mais subjetivas. O fator humano sempre foi a razão de existir do varejo, porém, por mais óbvia que seja esta colocação, só agora ela se transformou em guia principal da indústria varejista.

Macrotemas da NRF 2021 – capítulo 2

De fato, as pessoas foram o sol em torno do qual orbitou a maioria das falas na NRF 2021 Capítulo 2. Assim, nossa sugestão é que você tenha isso em mente a todo instante. Clientes, colaboradores, investidores, fornecedores, parceiros etc. – independente do papel que assumam no jogo, são as pessoas que fazem a roda do comércio girar.

Sempre que falamos em pessoas, falamos em diversidade. A NRF 2021 reforçou a importância do assunto em vários momentos. Mesmo em palestras sobre outros temas, a importância de uma visão múltipla constantemente surgia como elemento chave para o futuro do varejo.

A ideia de multiplicidade passa a ser um mantra do setor. Além do relacionamento com pessoas – ou confundindo-se com ele, se preferir – ela deve nortear a gestão e as inovações nos pontos de contato com o cliente. Sim, estamos falando do omnichannel. Muitas das palestras do evento giraram em torno da importância de integrar todos os canais do negócio. Considerando suas diferenças e tirando proveito de suas particularidades para  melhorar a jornada do cliente. Contar com um mix de pontos de atendimentos diversos será natural no varejo do futuro.

A aliada de sempre

Em todos os macrotemas da NRF 2021 Capítulo 2, a tecnologia se mostrou como fator aliado e de provocação. Por mais que as atuais inovações tecnológicas encham os olhos de empresários e clientes, ainda estamos no estágio embrionário da digitalização do setor. Estamos no básico do aprendizado de tecnologias como inteligência artificial e machine learning. Descobrimos o poder dos dados, mas estamos longe de aplicá-lo em todo potencial. 

Enquanto o comércio em games e a venda de objetos virtuais dão seus primeiros passos, nos preparamos para a compra por voz, que deve crescer na mesma medida em que os assistentes virtuais ganham mercado. Isso para não falar da expectativa pela adoção em massa de inovações disruptivas como internet das coisas, por exemplo. No entanto, uma lição importante nesse quesito já ficou clara: o ser humano e a máquina formam uma grande dupla. Trabalhando juntos podem chegar a resultados incríveis, é o que muitos chamam de “soluções centauro”.

Só para ilustrar, é como acontece quando você usa o Margem. Uma equipe técnica investiu muitos recursos para programá-lo. No entanto, sem pessoas fazendo conexões entre os pontos apresentados, ele nada mais é do que um aplicativo de celular para consulta dos movimentos dos pontos de venda. 

Ele só se torna uma solução tecnológica quando alguém observa, por exemplo, que num PDV de uma loja de departamento, o movimento se intensifica às 16hs e que canetinhas têm mais saída nessa loja do que nas outras da rede. Então, constata que há uma escola nas proximidades e que, na hora do intervalo, adolescentes vão às compras. Juntando as informações, pode abastecer o PDV com produtos interessantes para o público ou até fazer uma parceria com a escola ou programar uma ação específica para aqueles clientes.

Só o começo

Em síntese, a segunda parte da NRF 2021 trouxe muitos pontos de reflexão. Cada um desses macrotemas levou a vários desmembramentos, como varejo híbrido, a transição do b2c para o c2b, halo effect etc. Mas a gente não quer sobrecarregar você. Nos próximos meses, falaremos sobre tudo isso.

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