A LGPD (Lei Geral da Proteção de Dados) movimenta a rotina corporativa à medida que o fim do período de adequação se aproxima. Isso quer dizer que, em alguns meses, as empresas que não estiverem alinhadas com a nova legislação estarão sujeitas a multas de até 2% da sua receita, limitado a R$ 50 milhões por infração.

Em linhas gerais, a Lei determina que, ao coletar um dado, a empresa precisa especificar, com clareza, o motivo da coleta, para que vai usá-lo, com quem vai compartilhá-lo, por quanto tempo vai guardá-lo. Enfim, tudo o que se refere ao dado coletado tem que ser informado ao cliente. Assim sendo, caso você altere ou acrescente algo novo às especificações iniciais, tem que comunicar imediatamente.

Outro ponto crucial é a segurança das informações armazenadas. Ela fica 100% a cargo do empresário. Ou seja, os vazamentos de que tanto ouvimos falar, em breve, terão repercussões que vão além da imagem. 

Via de mão dupla

Mas não se assuste! Para varejistas, há vantagens. Nesse tempo em que tanto se fala sobre a jornada do cliente e a importância de aprimorar, constantemente, a experiência em cada ponto de contato, a LGPD surge como aliada. Suas premissas fortalecem a segurança e a transparência, características que os consumidores mais buscam.

De fato, o desafio é considerável. Em contrapartida, as perspectivas são ótimas. Além da relação com o cliente, a operacionalização terá benefícios. Estes, aliás, podem até melhorar a produtividade. Do número do cartão de crédito às informações de navegação, passando pelas imagens de câmeras de segurança, são muitos bytes armazenados. Os mecanismos que a LGPD cria para dar aos consumidores mais poder sobre seus dados exigem a revisão de uma série de práticas. Eis uma bela oportunidade para eliminar o excesso de informação e direcionar apenas o necessário para que cada colaborador desenvolva seu trabalho.

A faceta minimalista da LGPD

No varejo, estamos acostumados a levantar muitos dados de clientes. Alguns, essenciais para a operação, como o CPF. Outros, no entanto, coletamos pela simples perspectiva de, talvez, usar. Por exemplo, se sua loja não faz entrega nem envia correspondências, por que você precisa do endereço completo do consumidor?

Com a LGPD, a justificativa apresentada ao cliente ao pedir qualquer informação tem que ser exata. Some-se a isso a responsabilidade sobre os bancos de dados. Para que se arriscar com o que não sabemos se precisaremos? Assim, informações extras devem ser solicitadas a seu tempo. 

Contagem regressiva

Nos últimos meses, as organizações dedicaram tempo ao alinhamento com a LGPD. Geralmente, começam pela de bancos de dados, mantendo arquivado apenas o essencial. Além disso, os níveis de acesso dos logins também passam por um pente fino. Já os sistemas de segurança são, incansavelmente, submetidos a testes. 

Algumas empresas firmaram parcerias com players da área de segurança. Em paralelo, buscaram soluções de coleta de dados, como ferramentas de pesquisa de mercado, a exemplo do Oppinar.

Sem dúvida, a LGPD é um marco divisor na gestão de informações, sobretudo no varejo. Contextualizá-la na prática operacional é reconhecer seu lugar na adequação de nossas atividades aos desafios de nosso tempo algoritmizado e hiperinformado. Os limites que ela traz estão longe de ser meras imposições. Entre tantas leituras, representam alertas para que respeitemos os espaços de nosso maior ativo, os clientes.