Os efeitos das mudanças climáticas no varejo se apresentam de formas tão marcantes quanto as notícias de calor ou frio extremos. Só que isso vai muito além do pico de vendas de ventiladores e aparelhos de ar condicionado. O tema ultrapassou as vitrines e assumiu seu lugar no planejamento estratégico.  

De fato, a sustentabilidade no varejo, até pouco tempo atrás, era uma questão de posicionamento. Nos últimos anos, no entanto, a urgência climática abriu os olhos do setor para suas responsabilidades com o meio ambiente.

Enquanto consumidores recusam as sacolinhas de plástico, lojistas buscam alternativas mais verdes. Só que isso não é nada. Afinal, a relação da sociedade de consumo com as mudanças climáticas é de mão dupla e, ao longo de toda sua cadeia, negócios varejistas deixam um impacto ambiental que não pode ser ignorado

O varejo contra as ameaças climáticas

As evidências dos efeitos das mudanças climáticas no varejo, sem dúvida, se intensificaram recentemente. Em todo o mundo, iniciativas sustentáveis ganham peso nas estratégias e se espalham por todos os setores. Do uso de energia renovável a opções de produtos ecologicamente amigáveis, são vários exemplos para se inspirar.

No Brasil, em especial, a maioria das mudanças impulsionadas pela preocupação ambiental está na oferta de produtos. Nos últimos anos, surgiram muitos negócios exclusivamente dedicados a oferecer opções sustentáveis. Lojas tradicionais também reconheceram o filão e, cada vez mais, ocupam suas prateleiras com estes itens.

Em paralelo, a legislação também impulsionou práticas que, pouco a pouco, estão contribuindo com o meio ambiente. Alguns estados tomaram medidas para diminuir o uso de sacolas plásticas, seja proibindo a distribuição ou permitindo a cobrança por elas.

Entre as iniciativas legais, uma das mais estruturadas é a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ela regulamenta a logística reversa, que nada mais é que a devolução do produto ao fabricante para descarte adequado. Assim, diversas indústrias – de distribuidores de óleo automotivo a laboratórios farmacêuticos – que atuam no Brasil passaram a oferecer meios para os consumidores devolverem embalagens usadas, produtos vencidos etc. Em contrapartida, disponibilizando pontos de coleta em seus PDVs, os lojistas têm a oportunidade de contribuir e, ao mesmo tempo, fortalecer relacionamentos com clientes e fornecedores

As respostas aos efeitos das mudanças climáticas no varejo internacional, por outro lado, parecem estar um pouco mais adiantadas. O destaque fica, sobretudo, para a economia circular. A revenda de produtos usados, que começou como uma iniciativa entre consumidores, ganhou um suporte de peso. Grandes marcas se juntaram a seus clientes no empenho para prolongar a vida útil dos produtos. Elas passaram a apoiar as revendas, inclusive intermediando as transações.

Quando o clima dita o consumo 

Da mesma forma que ações do varejo impactam o meio ambiente, os efeitos das mudanças climáticas também afetam os consumidores. As demandas sazonais são velhas conhecidas, mas estamos falando de algo além. Afinal, não é só no crescimento das vendas de biquínis no verão que que o clima se manifesta no varejo. 

Chega a ser surpreendente ver como o clima influencia a venda de produtos não sazonais. De acordo com um estudo da NRF, mais de 90% das vendas anuais motivadas pelo clima decorrem de mudanças diárias na temperatura. Se você parar por um instante, é fácil entender. Imagine, por exemplo, um café situado numa rua onde há muitos escritórios. O que acontece num dia de chuva? Certamente, o movimento na hora do almoço é bem menor que num dia de temperaturas amenas. Agora, digamos que na primeira semana do mês, choveu por dois dias. Se o gestor fizer a previsão de estoque para a semana seguinte desconsiderando o clima, as chances de erro são razoáveis. 

Em suma, com a inconstância e falta de padrões climáticos, cresceu a importância de entender como tais questões repercutem nas vendas. Usando análises de dados para isolar fatores, podemos constatar quando a volatilidade nas vendas decorre do clima. Da mesma forma, ao compreender como ele afeta os comportamentos de consumo, nos preparamos para um atendimento adequado.

Dados contra os efeitos das mudanças climáticas no varejo

Entendeu o alcance dos efeitos das mudanças climáticas no varejo? Por um lado, precisamos assumir nossa parte em relação ao meio ambiente com ações práticas que contribuam com sua preservação. Por outro, temos que aprender a lidar com o aumento da imprevisibilidade e evitar ao máximo que ela prejudique nossas operações.

Os dados, mais uma vez, se apresentam como maiores aliados do varejista. Acompanhá-los, em seu dinamismo e velocidade, exige mais dedicação do que podemos assumir. Hoje, é fácil encontrar soluções que oferecem suporte tecnológico para esta tarefa. O Margem é uma delas. Ele garante monitoramento de indicadores de vendas em tempo real na tela do seu celular. Assim, você pode analisar as causas de eventuais oscilações, inclusive observando se o clima do lado de fora de sua loja tem algo a ver com elas.