Design Thinking se tornou um dos termos mais falados no ambiente de inovação. Só que, ao contrário de outras palavras estrangeiras que entraram no vocabulário de empreendedores brasileiros, o termo não tem tradução exata para o português. Ainda assim, estamos diante de uma expressão cheia de significado.

Embora a palavra design geralmente passe uma ideia de estética, podemos traduzi-la como projeto. É nesse sentido que devemos olhar para o termo Design Thinking. Estamos falando de uma metodologia para criação de projetos, independente da área de aplicação.

Como

Design Thinking é um sistema para resolução de problemas. Sua popularidade está muito relacionada à maneira como suas dinâmicas se desenvolvem numa gestão centrada em pessoas. Nesses tempos em que as maiores inovações acontecem dentro da jornada do cliente, esta metodologia surgiu como um meio de objetivar o exercício da empatia no ambiente corporativo. Isso porque ela exige dos colaboradores sucessivas imersões na situação a ser transformada ou problema a ser resolvido.

Sua aplicação consiste em observações e constatações que vão e vêm e ao longo do desenvolvimento de um projeto. É o que chamamos de processo iterativo, ou seja, com base em idas e vindas, sempre trabalhando no feedback recebido. Só para ilustrar, digamos que você tenha uma ótica e decidiu desenvolver um aplicativo de compras. Num processo tradicional, você chamaria os desenvolvedores e passaria algumas orientações com base em suas considerações. Talvez até aproveitasse o Oppinar para fazer uma pesquisa geral entre seus clientes antes de fechar o briefing.

Aplicando a metodologia do Design Thinking, no entanto, o primeiro passo seria ir a campo e observar o processo de compra. Foi assim que a ótica Nordstrom fez. A equipe partiu para o ponto de vendas físico sem ideia das funções que colocaria na nova ferramenta. Saiu de lá com observações importantes, que levou para um brainstorm e materializou no app. Mas não foi o fim do processo. Logo depois, os colaboradores voltaram ao PDV, testaram o aplicativo e retornaram para o escritório a fim de realizar mais uma rodada de brainstorm, seguida por mais alterações. Isso se repetiu até que eles estivessem totalmente satisfeitos com o resultado. 

“O princípio essencial do design thinking é a empatia pelas pessoas para quem você está criando um projeto.” David M. Kelley

Etapas 

Como toda metodologia, o Design Thinking tem estágios bem definidos. O primeiro passo é entender o problema a ser resolvido. É a chamada etapa de Empatia. Ela consiste em fazer uma imersão no problema. Em síntese, vamos nos colocar no lugar de quem queremos atender. É quando coletamos informações entre as pessoas que estão interagindo com o problema a fim de compreender tanto suas necessidades quanto a maneira como lidam com o que têm hoje. Desse entendimento, partirá todo o processo. Por isso, aqui, devemos arcar mão de tudo que pode contribuir. Visitas in locum, pesquisas de opinião, conversas com clientes e funcionários etc. Todas essas ações se complementam.

A etapa seguinte é a de Definição. Nela, reunimos e organizamos o que foi apurado na fase de empatia. Com isso em mãos, partimos para a Ideação. É quando a equipe inicia brainstorms em busca da melhor solução para o problema. Aqui, precisamos dar liberdade para nosso time criar, sem críticas ou limitações. A diversidade da equipe fará a diferença nessa etapa. Por mais empático que alguém seja, alguns sentimentos e conclusões dependem de vivência. Assim, desde o começo do processo, devemos ter isso em mente. 

Depois da criação livre, o time fará uma filtragem, definindo as melhores soluções, conforme as necessidades das pessoas que pretende atender. Seguimos, para a quarta etapa, Prototipação. É hora de definir versões preliminares da solução do problema,  a fim de testá-las junto aos clientes. Chegamos, então, à última fase de um ciclo, a de Testes. Ou seja, mais uma vez, vamos observar. Daí, surgirão outras hipóteses e constatações e, de novo, organizaremos o que for apurado, faremos um brainstorm, chegaremos a uma solução, que será prototipada e, depois, levada para mais observações em campo, e assim por diante, até chegarmos à real desfecho do projeto.

Poder transformador 

Com efeito, a movimentação provocada quando aplicamos o Design Thinking, vivenciando essa sequência de empatia-ideias-testes, é excelente na formação de uma mentalidade cheia de benefícios para qualquer empreendedor. Sua prática acaba por contribuir com a criação de um repertório fértil para promover transformações na forma como uma empresa desenvolve serviços, processos e estratégias.